Por Marina Gaeta
Foto: Divulgação
Por Marina Gaeta
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Surdez
Último censo realizado pelo IBGE revela que a surdez é a segunda maior deficiência que atinge a população
O que seria do ser humano sem a comunicação? Quem não escuta não se comunica e aí, torna-se difícil exprimir pensamentos e vontades. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 10% da população mundial sofrem de problemas auditivos e calcula-se que devam existir, mais ou menos, 15 milhões de pessoas com algum tipo de perda auditiva no país, sendo 350 mil indivíduos que nada ouvem. No Brasil, de acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 5,75 milhões de pessoas têm algum problema de audição e estima-se que 50% da população acima de 65 anos apresenta alguma perda auditiva.
A surdez ainda é associada à velhice, mas ela realmente acontece devido ao desgaste das células auditivas, de forma natural ou não. Uma pessoa diariamente exposta a um forte ruído, sem proteção auricular, está propensa a apresentar esse distúrbio, pois desgasta suas células mais rapidamente. Já a perda natural ocorre a partir dos 50 anos, quando as células se destroem gradualmente. Algumas doenças manifestadas na gestação, na infância (rubéola, meningite, sarampo) ou gripes mal curadas, infecções renais e pressão alta em diabéticos podem causar essa lesão.
Existem basicamente dois tipos de surdez: de condução (é a menos comum. Afeta o ouvido externo ou médio e ocorre quando as ondas sonoras não são bem conduzidas ao ouvido interno) e a do nervo auditivo ou da cóclea (acontece quando a cóclea – órgão interno da audição – não consegue transformar a energia mecânica da vibração que o som produz em energia elétrica para transmiti-la ao cérebro, que irá entender o som).
Entre as causas da surdez de condução estão o excesso de cera no ouvido; infecções como catarro no ouvido (Otite Secretora ou Otite Serosa), infecções agudas do ouvido (Otite Média Aguda), perfuração timpânica – infecções crônicas do ouvido (Otite Média Crônica) e imobilização de um ou mais ossos do ouvido (Otosclerose).
No caso do excesso de cera, é importante saber que se trata de uma produção normal da pele do canal externo de nosso ouvido. Ela serve para proteger a pele fina que reveste o canal contra germes e substâncias que podem contaminá-la ou feri-la. A cera interna não deve ser retirada. Cera não é sujeira! Devemos somente retirar com uma toalha, por exemplo, a cera que aparece na orelha por estética. Não devemos introduzir nada dentro do canal do ouvido (cotonetes ou similares), pois, além de tirar o revestimento normal de cera, ainda podemos empurrá-la mais para o fundo do ouvido e entupi-lo. Existem pessoas que produzem muita cera ao longo da vida toda ou em suas fases, e pode ser formado um tampão que impede a passagem do som. Este tampão ("rolha" de cera) deve ser removido por um médico. Não é aconselhável fazer lavagem ou remoções em farmácias ou com pessoas não habilitadas, pois isso pode causar problemas graves, como perfuração no tímpano ou infecções.
A forma mais comum de surdez é a do nervo auditivo ou da cóclea. Suas causas podem variar desde problemas menores como diminuição na irrigação sanguínea do ouvido, até mais sérias como tumores cerebrais. As duas mais frequentes são a exposição a ruído de alta intensidade ou sons altos e presbiacusia (surdez pela idade).
A perda auditiva em função da exposição a ruído no trabalho é caracterizada na faixa entre 3,000 e 6,000 Hz . Na fase precoce à exposição, uma perda de audição temporária é observada ao fim de um período de trabalho, mas desaparece após algumas horas. A exposição contínua ao ruído resultará em perda auditiva permanente, progredindo e tornando-se notável no decorrer do tempo.
Apesar de muitas fontes de informações, existem muitos mitos sobre a surdez. As pessoas geralmente falam que não há nada que se possa fazer. O que não é verdade.
Como prevenir?
Segundo o otorrinolaringologista e diretor do Centro de Otoneurologia do Hospital das Clínicas (HC), Marco Aurélio Bottino, primeiro é necessário fazer uma audiometria, que indicará se existe alguma deficiência e qual seu nível. A partir daí, inicia-se o tratamento mais adequado. “Os sintomas perceptivos geralmente são os mesmos: aumento do volume da televisão e do rádio, necessidade de repetição dos diálogos, irritação, e os tratamentos não apresentam riscos, seja uma cirurgia ou colocação de aparelhos”, esclarece o doutor.
Há também outras maneiras de poupar o sistema auditivo: evitar locais muito barulhentos ou usar protetores auriculares quando não puder fugir de tal exposição, abandonar fones de ouvido, posicionar-se bem à frente da pessoa com quem estiver falando, concentrar-se apenas no diálogo, não ministrar medicamentos sem orientação médica. Os familiares estão dentre as formas de prevenção. Dr. Marco Aurélio afirma que são os primeiros a perceberem a alteração auditiva e tornam-se peças-chave para mudar esse quadro.
Qual o tratamento?
O tratamento da surdez depende da causa. Normalmente, os problemas de surdez de condução podem ser resolvidos com tratamento médico, remédios ou cirurgia. No caso de perda auditiva por acúmulo de cera no canal do ouvido, o médico simplesmente fará a remoção usando o instrumental do consultório.
Mundo dos sons
Existem diferentes tipos de aparelhos auditivos, porém todos com a mesma discrição, o que facilita bastante na hora de atender às limitações do paciente e reinseri-lo no mundo dos sons. Um mito é que aparelhos de audição não ajudam, uma vez que a maioria consegue ouvir muito bem com um aparelho bem adaptado e prescrito por médico. Mas lembre-se, não se deve comprar aparelhos de audição na loja ou por propagandas de rádio e televisão. O acompanhamento médico é fundamental.
Mais informações: www.forl.org.br
Dr. Marco Aurélio Bottino – Tel.: (11) 3826-0370